As
diversidades, vamos entender?
Por: Albangela Ceschin Machado - Psicanalista
Os transexuais, os travestis, drag
queens, os crossdress e homossexuais são
denominações que muitas vezes são confundidas entre si e podem causar embaraço.
Este texto objetiva esclarecer em
linhas gerais cada um destes conceitos.
Transexual é aquele que nasce
biologicamente pertencente a um determinado sexo, ou melhor gênero, mas
sente-se, percebe-se com a vivência psíquica de pertencer ao oposto. Dizemos
que a identidade de gênero (saber-se homem ou mulher) não é congruente com o
sexo anatômico, biológico. Este desejo está associado geralmente ao sentimento
de mal-estar ou de inadaptação em referência ao seu próprio sexo anatômico e ao
desejo de submeter-se a cirurgia e tratamento hormonal para tornar seu corpo o
mais próximo do sexo desejado.
O homossexual tem sua orientação para
um relacionamento com indivíduos do mesmo gênero que o seu, não manifesta
inconformidade com seus órgãos genitais e seus caracteres secundários, nem deseja
modificar seu corpo está satisfeito com o mesmo e com seu funcionamento.
O chamado travestismo de duplo papel
(transtorno de identidade sexual no adulto ou adolescente, tipo não transexual)
define o indivíduo que usa vestimentas do sexo oposto durante um período de sua
existência, isto é, satisfazer a experiência temporária de pertencer ao sexo
oposto, porém sem desejo de alterações corporais permanentes ou de submeter-se
a uma cirurgia, a mudança de vestimentas não significa excitação sexual.
Importante entender que o transtorno de
identidade sexual na infância se inicia antes da puberdade com intenso
sofrimento e desejo de ser de outro sexo, existe uma preocupação intensa com as
vestimentas e repúdio do próprio sexo, ocorre um isolamento social, muitas
vezes aparece uma dificuldade no vínculo parental, gera perturbações no senso de feminilidade e
masculinidade, questões relacionadas as expectativas familiares geram dor e
sofrimento em todos os envolvidos.
Dados estatísticos dizem que na
adolescência um a dois terços ( no caso de meninos) acaba desenvolvendo
orientação sexual homossexual já nas meninas é menos frequente.
A identidade de gênero é o conceito
básico para entender a realidade de quem se sente diferente dentro do próprio
corpo. A cirurgia de redesignação, contudo, não é fundamental para definir o
gênero de uma pessoa, ela precisa viver o papel desejado, sentir-se socialmente
inserida no universo.
Travestis são aqueles que tem uma
vivência nas vestimentas, idealizações do feminino mas o uso do pênis para
obtenção de prazer existe, algo que é impensável para os transexuais.
Drag queens são artistas performáticos
que se vestem com roupas femininas, independente da sua identidade de gênero,
para apresentações, shows dentre outros formas de expressão artística.
Os chamados de crossdressers são aqueles que usam roupas associadas ao gênero
oposto no dia a dia por interesse ou fetiche.
Contudo, segundo a cartunista Laerte,
responsável por popularizar o termo e essa discussão, “o crossdresser é um
travesti de classe média”. Em 2009, Laerte admitiu ser crossdresser e acabou
tornando-se porta-voz desse movimento. Atualmente, se identifica com o gênero
feminino e afirma ser bissexual.
Outro
exemplo conhecido é do conhecido jornalista e escritor Marcelo Tas e seu filho Luc, que relata ser a aceitação da
família é uma das importantes dificuldades enfrentada pelos transexuais.
O Sistema único de
Saúde (SUS) reconhece a importância de atender as pessoas desejosas de
redesignação sexual, por isso desde 1997 a cirurgia foi normatizada pelo
Conselho Federal de Medicina resolução 1.482/97.
O tratamento do
transexual envolve equipe multidisciplinar, são eles ( psiquiatra, psicólogo,
endocrinologista, urologista, cirurgião plástico, assistente social),
objetivando um diagnóstico de excelência.
Autorizado apenas em hospitais universitários ou públicos
com extensa tradição de pesquisa.
A resolução 1.652/2002 do CFM revogou a lei anterior
autorizando também hospitais privados a
fazerem cirurgias em indivíduos do fenótipo masculino que pleiteiam
redesignação para o feminino, porém, o contrário ( a cirurgia do fenótipo feminino
para o masculino) ainda está a cargo apenas dos hospitais públicos adequados
para pesquisa.
Frente a estes esclarecimentos, ainda que resumidos, deve-se
atender a expectativa de inúmeras pessoas que sofrem e que não necessariamente
se enquadram em categorias previamente existentes, daí a importância da escuta
analítica, que independe destas classificações acima apresentadas e se preocupa
com o sujeito que busca ajuda.
Cabe esclarecer que a nomenclatura pessoas se deu por
contingência das definições apresentadas e sujeito aparece no último
parágrafo como diferenciação da escuta e entendimento psicanalíticos.
O que mobiliza o trabalho psicanalítico é a dor e o desejo
de quem procura respostas diferentes
daquelas que até então possuía.
Referências utilizadas:
Abdo, C.,Sexualidade Humana e seus transtornos, São Paulo,
Leituramédica 2010.
Machado, A. C., Monografia para obtenção de título de psicanalista,
Transtorno de identidade e gênero no discurso psicanalítico (revisão de
literatura), 2013.
Organização Mundial de Saúde (OMS) CID 10, Porto Alegre:
Artes Médicas, 1993.
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